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Autor Tópico: As Políticas Económicas do Estado Novo  (Lida 2685 vezes)
Ricardo de Vasconcelos
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Infinito


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« em: Dezembro 20, 2007, 07:13:01 »

Tópico colocado pelo utilizador: b.reis

A obra do Estado Novo vem como uma volta à integridade e honestidade perdidas com a revolução liberal. Além de endireitar as contas públicas, que como saberão, é a premissa para o desenvolvimento económico, Salazar é o obreiro de outras grandes medidas que elevaram o país. Deixem-me agora falar resumidamente sobre o que foi feito durante esta grande época para Portugal:

As Políticas Económicas do Estado Novo
As principais e mais duradouras características do modelo económico do Estado Novo foram construídas durante a Ditadura Militar, entre as quais:
- Politica de fomento das obras públicas;
- Política colonial;
- Acto colonial;
- Política de autarcia;
- Constituição política;
- Estatuto do Trabalho Nacional;
- Política conjuntural anti-depressão.

O Período 1928-1948
As duas primeiras décadas da política do Estado Novo, no que respeita aos aspectos económicos, foram condicionadas por dois factores essenciais:
- A preocupação de moderação, com o objectivo de preservar equilíbrios difíceis tanto a nível teórico como a nível prático-ideológico;
- O impacte da Grande Depressão de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.
Estes dois aspectos traduziram-se numa barreira para definir, neste período, uma política económica de industrialização.

A estabilização financeira e monetária
A estabilização financeira e monetária era essencial, pois iria permitir a renovação e o progresso económico do país, através de infra-estruturas tendentes à unificação do mercado interno que assegurariam o fornecimento de energia a baixo preço. O esforço de estabilização é bem anterior à reforma financeira de Salazar, que se tornou ministro das Finanças, em 27 de Abril de1928.
Para atingir a estabilização económica e monetária foram adoptadas medidas jurídicas de carácter económico, tais como: a reforma do regime tributário; a reforma do crédito; a legislação do condicionamento das indústrias e o proteccionismo alfandegário.
As condições impostas pela SDN referentes ao controlo da acção financeira do Estado e à possibilidade de, em caso de falha no cumprimento do estipulado, uma comissão passar a administrar as receitas consignadas ao serviço da dívida contraída não foram aceites pelo Governo português e, a resposta a este contratempo seria uma austeridade financeira acrescida, enquadrada no conjunto de medidas, entre as quais:
- A reforma fiscal;
- A reforma orçamental.
A reforma fiscal traduziu-se num recuo perante os aspectos modernizadores do sistema fiscal e contribui para um substancial aumento das receitas públicas.
A reforma orçamental contribuiu para a contracção das despesas e reclassificou as receitas e despesas.
Coube a Salazar definir as medidas essenciais da disciplina e controlo das despesas, das quais se destacam:
- A obrigatoriedade de cada ministério não ultrapassar a verba que lhe fosse atribuída e de aceitar discutir com o Ministério das Finanças as medidas com efeitos directos nas receitas e nas despesas do Estado;
- A possibilidade do Ministério das Finanças vetar qualquer aumento de despesas;
- A uniformização dos critérios de cobrança de receitas e de realização de despesas.
Para além das reformas fiscal e orçamental, foram tomadas outras medidas, tais como:
- Reorganização da Caixa Geral de Depósitos;
- Criação da Inspecção-Geral das Finanças;
- Reforma da contabilidade pública;
- Remodelação do Conselho Superior das Finanças, originando o Tribunal de Contas.
A estabilização monetária culminou com a adesão de Portugal ao regime do padrão divisas-ouro, o que, conjuntamente com a estabilização financeira, possibilitou um maior controlo da procura global.
A estabilização financeira e monetária era o meio indispensável para garantir a ordem e criar condições para o fomento económico.

Efeitos da crise de 1929
A crise e a depressão, de 1929, sentiram-se a nível internacional e tiveram repercussão na economia portuguesa. Todavia, os seus efeitos foram maiores na progressiva construção e adaptação da política e acção do Estado Novo do que nos efeitos directos negativos.
São apontadas como razões para a relativa benignidade dos seus efeitos em Portugal, o atraso económico e a pequena abertura externa da economia portuguesa:
- O peso e a falta de modernidade do sector agrícola;
- O sector industrial caracterizava-se por pequenas unidades produtivas, tecnologicamente pouco avançadas e pouco dependentes de capital estrangeiro, e ausência de concentração técnica e financeira no sector industrial;
- O peso do comércio externo e do investimento estrangeiro no produto nacional era reduzido.
A crise de sobreprodução e a depressão implicaram, por um lado, o fecho à imigração dos mercados tradicionalmente importadores de mão-de-obra tendo e, por outro, a quebra das remessas dos emigrantes e a suspensão da transferência das receitas das aplicações de capital, que levaram ao desemprego e à contracção da procura.
A quebra dos preços nos mercados internacionais afectou negativamente os sectores exportadores ligados à agricultura e às produções coloniais.
Portugal reagiu a esta conjuntura com o mesmo tipo de políticas e as mesmas ideias que foram aplicadas na maioria dos outros países, com a vantagem de o terem sido com antecipação.
O nacionalismo económico traduziu-se no esforço de garantir mercados para a produção interna, levando ao proteccionismo, e numa política de desenvolvimento industrial em autarcia económica, com base na substituição das importações e no papel activo do Estado.

O Acto colonial
O Acto Colonial enquadrou a integração dos espaços económicos metropolitano e colonial com o duplo objectivo de garantir os mercados africanos para escápulas dos produtos industriais e obter o fornecimento de matérias-primas industriais em boas condições financeiras.

Campanha do Trigo
Portugal era um país pobre e o pão constituía uma das principais fontes de alimentação das populações. Assim, os objectivos desta campanha eram o incentivo à expansão do cultivo do trigo, garantindo a auto-suficiência do país e a remuneração justa aos factores produtivos, minorando o desemprego rural.
Contudo, os objectivos da Campanha do Trigo, no que respeita à auto-suficiência, não foram atingidos devido à inadequação das condições climatéricas e de solo e das estruturas fundiárias.

O Condicionamento Industrial
As preocupações de intervencionismo e de nacionalismo económico traduziram-se na aplicação do condicionamento das indústrias, que surgiu para fazer face a alguns problemas específicos de alguns sectores industriais.
O condicionamento industrial tinha como fim garantir o controlo da indústria por nacionais e a regulação da actividade produtiva e da concorrência. Todavia, existiam outras preocupações, tais como evitar o desemprego, a sobreprodução, a queda dos preços e o descontentamento social.

A Organização Corporativa
O corporativismo procurou incentivar os agentes económicos a organizar a actividade económica com base nos princípios do capitalismo, mas reduzindo os efeitos negativos da concorrência e do liberalismo, ou seja, pretendia substituir a regulação do mercado pela regulação corporativa. Esta fórmula assegurou um desenvolvimento harmónico e prudente, capaz de fomentar a industrialização e de fazer convergir os interesses dos trabalhadores e dos patrões.

A Lei da Reconstituição Económica
A política de obras públicas e infra-estruturas levadas a cabo pelo Estado Novo só foi possível devido à política de estabilização financeira e monetária, que só assumiu a sua verdadeira dimensão na Lei de Reconstituição Económica.
A Lei previa a execução de um programa de investimentos públicos, tendo em atenção a disponibilidade financeira, no âmbito da defesa nacional e da reconstituição económica, com o objectivo de consolidar a unificação do mercado interno. O financiamento provinha das receitas efectivas, nos empréstimos e marginalmente nos saldos dos anos económicos findos. Quanto às despesas efectuadas, estas são: o peso da defesa nacional, reconstrução e fomento económico (agricultura, transportes, telecomunicações e energia).
Pretendia-se dar a visão do empenho do Estado Novo na industrialização e modernização económica do país, contudo só com a 2.ª Guerra Mundial foram criadas condições que permitiriam a entrada de Portugal na época do moderno crescimento económico.

A Economia Portuguesa e a 2ª Guerra Mundial
Apesar da posição neutral assumida por Portugal no conflito, o país sofreu os efeitos da guerra económica e teve que reagir com políticas económicas típicas de uma economia de guerra. Criaram-se condições para uma política de industrialização, todavia foram levantados dificuldades sobre a manutenção das estruturas, e o esforço de manutenção da estabilidade económica e social não resistiria aos efeitos do bloqueio económico. Numa economia dependente do exterior relativamente a matérias-primas essenciais, bens intermédios e bens alimentares, e a diminuição da oferta por parte dos países beligerantes e ocupados e a redução nos fornecimentos, provocaram escassez, inflação e agitação social.    Estes efeitos ao revelarem a fragilidade da economia portuguesa, levaram a que fosse defendido um processo de industrialização baseado na substituição de importações e em indústrias de base, aproveitando um mercado interno mais protegido, e a uma politica intervencionista por parte do Estado.
 A economia de guerra, traduziu-se assim na intensificação da regulação económica estatal com o objectivo de garantir o financiamento e canalização de factores produtivos para o esforço de guerra, aqui observou-se um catching up.
Portugal não conseguiu evitar as dificuldades de uma conjuntura de guerra, que se agravaram na segunda metade de 1941, e para tal contribuíram vários factores: maior eficiência do bloqueio económico, com a entrada dos EUA na guerra; a falta de transportes marítimos e desarticulação e irregularidade dos transportes internos; quebra na produção e produtividade na agricultura; e aumento da circulação monetária.
Face estes problemas, o Estado incentivou o aumento das zonas cultivadas e a diversificação de culturas, garantiu mão-de-obra barata, aumento as horas de trabalho, deu subsídios, facilitou o crédito, criou mecanismos de controlo de preços e de comercialização dos bens. A guerra apesar das dificuldades criadas, significou prosperidade para a indústria, reforçando a prioridade da industrialização. No fim da guerra havia uma política industrial para reestruturar e reorganizar a indústria.
Em 1945, a Lei do Fomento e Reorganização Industrial, concedeu prioridade às indústrias transformadoras, protegeu o mercado interno, lançou novas indústrias, como meio de aumentar a eficiência económica. O Governo viria ainda a levar a cabo uma política deflacionista, com o fim de contrariar o aumento da massa monetária em circulação e de reduzir os resultados negativos dos saldos das contas públicas provocados pelo aumento das despesas com a defesa e com a economia de guerra.

Não foi Salazar um génio e o Estado Novo o melhor que aconteceu a Portugal, desde a derrota do nosso amado el-rei D. Miguel em 1834?
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« Responder #1 em: Dezembro 20, 2007, 07:13:28 »

Para que se saiba a verdade sobre o Estado Novo, publico aqui as políticas de carácter económico, que marcaram o período que se estende desde o fim da 2ª Guerra Mundial até ao início da década de 70.

Este trabalho (no qual se enquadra, também, o tópico anterior) foi realizado por mim, no âmbito da cadeira de História Económica, presente na minha licenciatura.


O PERÍODO 1948 - ANOS SETENTA

Ainda durante 1947, é dado por concluído o período de economia de guerra, com a política de estabilização da oferta, sendo então possível implementar um projecto de desenvolvimento económico ao qual os efeitos da guerra se
manifestam como contributo decisivo.

A partir da leitura das propostas de lei e projectos dos planos de fomento, são visíveis as preocupações, adaptações e insuficiências no modelo de desenvolvimento do Estado Novo.

O Plano Marshall e a ordem económica da pós-guerra trouxeram a Portugal, a necessidade de enquadrar a acção económica do Estado através de um planeamento indicativo.



I – Plano de Fomento (1953-1958)

O I Plano de Fomento é um conjunto de investimentos públicos a que foram afectados recursos financeiros, trata-se de um somatório de planos parciais, onde agora é possível estabelecer prioridades. Prioridades essas, que não passam por objectivos explicitados, mas sim por preocupações, tais como: o baixo rendimento individual médio, a baixa produtividade do trabalho e a dificuldade em obter potencial mão-de-obra. Com estas preocupações nota-se a apreensão em relação à dificuldade em conciliar o aumento do nível técnico e do equipamento disponível com a necessidade de evitar o desemprego.

O modo como o esforço de industrialização, reconhecido como essencial para a melhoria do nível de vida e o modo como se prevê o seu financiamento traduzem o esforço em que assenta o projecto desenvolvimento.

Quanto aos meios de levar à prática esta política, é
necessário destacar: o condicionamento industrial e a política agrícola. O
primeiro pretende ser instrumento de protecção do mercado interno, através da dimensão mínima das unidades produtivas e de condições técnicas de funcionamento. O segundo aspecto, visa promover o progresso técnico de sectores atrasados, bem como garantir condições de segurança e higiene. Os modelos de crescimento autocentrado bem sucedidos exigem a modernização das estruturas agrícolas
para aumentar a produtividade do sector e um mercado interno alargado. Porém tal não aconteceu, no âmbito do sector agrícola, seguindo outro modelo de industrialização neste período, o da política de baixos salários, só possível por causa dos baixos preços dos produtos alimentares.




II – Plano de Fomento (1959-1964)

Apresentando-se como “um programa de política económica”, tem como objectivos as preocupações
adiantadas no plano anterior, sendo elas: acelerar o ritmo de incremento do
produto nacional, aumentar a produtividade do capital fixo, melhorar o nível de vida, garantir e proporcionar emprego e melhorar a balança comercial.


No período de actuação do plano, espera-se reorganizar
oito indústrias: a indústria de conservas, a têxtil, a dos lanifícios, a
vidreira, a metalúrgica e metalomecânica, a indústria corticeira e a do papel, a propósito da reorganização das indústrias nota-se o aparecimento de alguma apreensão face ao processo de integração europeia e à abertura externa da economia portuguesa. Estava assim lançado um dos problemas que durante mais de uma década os Governos portugueses tiveram que enfrentar: como conciliar a intensificação da participação na ordem económica internacional do pós-guerra e a integração económica europeia e a construção do espaço económico nacional?
Até finais da década de cinquenta Portugal conseguiu manter-se à margem da ordem económica internacional, foi membro fundador da OECE (Organização Europeia de Cooperação Económica).


Seria na entrada em vigor do II Plano de Fomento que
Portugal viria a aderir á maioria dos acordos e organizações económicas
internacionais, alguns deles criados no imediato pós-guerra.


Plano Intercalar de Fomento (1965-1967)

Os três anos de vigência do plano intercalar de fomento, são de balanço, de esforço na conciliação da integração de Portugal na AECL e na construção do mercado único nacional.

            O plano intercalar propunha-se a atingir objectivos que ainda se relacionam com o período anterior:
  • Aceleração     do ritmo de crescimento do produto nacional sujeito à coordenação com o
     imperativo da defesa;
  • A manutenção da estabilidade financeira e monetária a nível interno e
     externo;
  • Equilíbrio do mercado de trabalho.
Este plano também possuía novos elementos e novos objectivos, sendo tais objectivos referidos pela primeira vez na política económica do Estado Novo:
  • A repartição mais equilibrada do rendimento nacional;
  • Referência às “pressões inflacionistas” a propósito da estabilidade financeira interna e do mercado de trabalho;
  • Redução das assimetrias no desenvolvimento regional e adiantamento para o III Plano de Fomento.
Para o cumprimento de tais objectivos, a prioridade de investimento assenta em três critérios essenciais: mais directa e imediata reprodutividade, maior capacidade para aumentar as exportações e substituir importações e maior contributo para a melhoria das infra-estruturas que contribuam para o aumento da produtividade.

A estrutura deinvestimentos previstos para o continente e ilhas (num total de 35,5 milhões de contos), está distribuída da seguinte forma:
  • Sector industrial – 43% do total dos investimentos previstos;
  • Transportes e comunicações – 18%;
  • Energia – 16%;
  • Sector primário – 8%;
  • Habitação – 5%;
  • Saúde – 4%;
  • Ensino – 1%;
  • Investigação – 2,5%;
  • Sector do turismo – estavam destinados 1,5 milhões de contos;
  • Nas colónias – foram previstos investimentos no valor de 14,4 milhões de contos.
As indústrias metalúrgicas, metalomecânicas e de material eléctrico foram o tipo em que mais se apostou, para se atingir os objectivos fixados para o sector industrial (taxa de crescimento média anual acumulada de 9,5%), pois previa-se que pudessem vir a crescer a uma taxa anual média de 11,5%. Também foi previsto um crescimento para as indústrias químicas e do petróleo e para a dos minerais não metálicos, nomeadamente cimento e mármore, base da construção civil e obras públicas, na ordem dos 10% ao ano.

Este plano apresentava uma política industrial, que assentava em dois pressuposto: o papel essencial da iniciativa privada e s exigências da concorrência externa (decorrentes não só das obrigações contraídas no âmbito do GATT como ainda do processo de integração europeia), pelo que o objectivo eram o de fortalecer a estrutura empresarial.

A nível do sector agrícola, o objectivo geral do aumento do produto bruto agrícola não é muito diferente do plano anterior, as medidas deste novo plano são em grande número no que respeita aos aspectos técnicos e financeiros, não havendo muitas referências a medidas que incentivem a alteração da estrutura fundiária.

As más condições climáticas revelaram ser a principal razão para a paralisação da agricultura.



III –Plano de Fomento (1968-1973)

            Seria Rogério Martins, secretário de Estado da Indústria, o grande dinamizador da viragem para o “período tecnocrata” da política económica portuguesa.

Este novo regime industrial enquadra-se em seis aspectos essenciais:
  • A substituição do condicionalismo industrial pelo funcionamento normal do mercado;
  • O apoio a formas de concentração técnica e financeira através da cooperação empresarial;
  • Uma política agressiva de exportação comercial;
  • Uma política de investimentos estrangeiros;
  • Uma actuação antimonopolista e de defesa da concorrência;
  • O financiamento do investimento e da produção
     através de um conjunto de incentivos e de apoios à organização interna das empresas. É esperada simultaneamente uma mudança radical de atitude por parte dos agentes económicos.
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O Estado Novo aparece, assim, como um gigante, face as insignificantes políticas postas em prática pelos sucessivos governos abrilinos.
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« Responder #2 em: Dezembro 20, 2007, 07:14:05 »

O BALANÇO DA POLÍTICA ECONÓMICA DO ESTADO NOVO

O balanço da política económica do Estado Novo é um balanço quantitativo que pretende mostrar de que modo a política do Estado Novo terá conduzido por um lado à industrialização e por outro a um crescimento económico com características modernas. Vou tentar explicitar o significado de alguns aspectos desta política.


Aspectos Agregados

O crescimento económico moderno caracteriza-se por ser um crescimento rápido, prolongado e constante do nível de vida e utiliza-se o produto per capita para se quantificar este tipo de crescimento. As economias que entram nesta fase têm de ter pelo menos, a taxa de crescimento média anual do produto, entre 2% a 5%.

            Portugal, no período compreendido entre 1928 e 1941 apresenta um crescimento moderado, mas já indicador de um crescimento auto-sustentado.

            A economia portuguesa apresenta uma recuperação no intervalo entre as duas guerras mundiais.

            Durante a segunda guerra, Portugal enfrentou dificuldades quando o bloqueio, ao provar-se eficiente, produziu efeitos negativos, o que se traduziu em taxas de crescimento negativas registadas durante período referente.

            Após a segunda guerra mundial a economia portuguesa caracteriza-se por ritmos de crescimento notoriamente acentuados, registando valores de taxas de crescimento que apontam para uma expansão superior aos EUA, da Inglaterra e da França e próxima da Itália e Alemanha.

            Os factores que explicitam o porquê deste comportamento da economia portuguesa são:

Externos:
Ø      A integração da
economia portuguesa numa economia mundial e em particular na integração
europeia;

Ø      O acentuado aumento da emigração provoca um grande decréscimo da população.

Confirma-se, assim, a teoria de que para a uma economia de dimensão reduzida, uma política de aceitação de uma especialização
é a mais favorável ao crescimento económico e à melhoria do nível de vida do que uma política de autarcia económica.


Internos:

Ø      A intervenção do
Estado na economia, que se repercutiu a nível do planeamento e de políticas económicas estruturais.


A avaliação quantitativa dos factores de crescimento de Portugal, para o período analisado é praticamente inexistente. Pelos dados indirectos disponíveis, as elevadas taxas de crescimento do produto per capita são fundamentalmente consequência de
aumentos de produtividade, como parece ter acontecido em todos os países que foram palco do efeito de modernização.



Aspectos Estruturais

            O crescimento económico moderno implica, algumas mudanças a nível estrutural da actividade económica. Tais mudanças são
consequência das alterações tecnológicas e do aumento do produto per capita e reflectem-se na evolução dos diferentes sectores económicos.


No ano de 1970, a percentagem de população activa no sector agrícola, ainda era de 32%, esta reflectia a dificuldade em transformar as estruturas agrícolas e melhorar a produtividade.

Quanto ao sector industrial, só após a 2ª Guerra Mundial se começou a verificar a sua crescente importância na actividade económica.

Após a 2ª Guerra Mundial o Estado Novo procurou implementar um processo de industrialização com características específicas: onde se pressupõe, que as actividades agrícolas e industriais deviam constituir aspectos complementares; onde o fenómeno teria de ser nacional, em que se mobilizaria todas as forças existentes no país; e por fim,
ser um processo global de transformação da sociedade, para a industrialização.


O sector energético foi outra aposta feita por parte do Estado Novo assumindo a electricidade, o gás e a água um importante peso na produção energética.

Após 1950 os sectores de bens de produção e de bens mais duráveis assumem uma cada vez maior importância e um acentuado crescimento em detrimento dos produtos de bens de consumo, e em geral dos bens não duradouros, é o caso dos têxteis e produtos alimentares.

            Concluindo, excluindo a política colonial, as políticas adoptadas pelo Estado Novo no pós-guerra são comuns à maioria dos países europeus, na tentativa de edificar um Estado do bem-estar (Welfare State).


Aspectos Internacionais

Os processos do crescimento económico moderno reflectem-se nas tendências associadas aos aspectos internacionais, ou seja, desde inícios do século XX que nenhum país vive em autarcia, estando dependente do fluxo internacional tanto de matérias-primas como de bens económicos, sendo que desde o fim da II Guerra Mundial a importância destes fluxos tem vindo a crescer.

            No que toca ao Estado Novo até ao início da década de sessenta foi acusado de exercer uma política de autarcia económica.


O Comércio Externo

Desde 1926 e até ao fim da II Guerra Mundial nota-se um decréscimo no comércio externo português, ligeiro no que diz respeito às importações e mais acentuado nas exportações, derivado da subida de cerca de 30% das taxas aduaneiras em 1929, indo de encontro com a tendência internacional de diminuição do volume de trocas que caracterizou o período entre guerras.

            No pós guerra não é possível assinalar uma política de maior abertura para com o exterior, pois verificou-se um contínuo processo de substituição das
importações até meados da década de 60, sendo que o peso das exportações no produto português se manteve constante, em média nos 15%.


            A partir de 1964 verifica-se a aplicação de uma nova política económica que visa fomentar e dinamizar as exportações, nova política esta que não teve efeitos muito diferentes da política de autarcia anteriormente implementada.

A Emigração

Desde a formação da economia-mundo euro-atlântica que Portugal tem visto a emigração como uma forma de fomento das relações económicas externas, não só no factor trabalho mas, sobretudo, no impacto positivo do fluxo de capitais na balança de transacções correntes.

            Durante o período entre guerras e, devido à escassez de trabalho causada pela depressão económica é de reparar que Portugal teve um saldo positivo na relação Imigração\Emigração, resultante do regresso a casa de muitos dos emigrantes que não superaram a crise nos países para os quais haviam emigrado.

            No pós-guerra esta tendência inverte-se e, a nível internacional, existe uma enorme procura de mão-de-obra, factor este que leva a um elevado fluxo de emigração, e que aliado com alguns factores de política interna, na década de 60, acentua ainda mais esse grande número de emigrantes.

Os capitais

No que toca a capitais os dados disponíveis para análise são os da divida externa que, ao longo de todo o período disponível aparece controlada, e não tendo um peso significativo na relação entre as receitas e as despesas, com a divida a variar entre os 9% antes do regime do Estado Novo e pesando 1% em 1974, não podendo portanto o Estado Novo ser considerado como um factor de bloqueio do crescimento ou impeditivo do investimento público.

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« Responder #3 em: Dezembro 20, 2007, 07:15:19 »

Resposta de Strasser:

Um esclarecimento do Prof. Pedro Arroja no
http://www.portugalcontemporaneo.blogspot.com/

Primeiro, quando em 1974, caíu o Estado Novo, nós éramos, em termos relativos face à Europa Ocidental, mais ricos, em termos de PIB per capita, do que somos hoje. Por outras palavras, desde então, Portugal progrediu, mas os países da Europa Ocidental progrediram também e um pouco mais até, de modo que, em relação a eles, nós somos hoje um pouco mais pobres.
Segundo, nós não éramos na altura nem somos hoje um país subdesenvolvido. Na realidade, somos - em termos do Índice de Desenvolvimento Humano que foi criado pela ONU há cerca de vinte anos - o 28º país mais desenvolvido do mundo (entre 200), isto é, estamos no top 14%.
Terceiro, mas então como explicar essa ideia generalizada de que somos um país subdesenvolvido? Simples, obra de aspirantes a políticos, sobretudo intelectuais e universitários. Possuindo eles a autoridade para declamar os índices de desenvolvimento económico e social, mas também uma grande ambição para chegar ao poder, tirando de lá os que lá se encontram, nada mais eficaz do que passar a mensagem falsa de que o país é pior do que aquilo que na realidade é - uma consequência da politização das universidades e do domínio da ideologia, a que me referi em posts anteriores.



TESTEMUNHO

Quanto mais deixo perpassar pelos olhos do meu espírito a figura de Salazar, mais ela se agiganta em nobreza e dignidade.
Penso que nenhum homem justo poderá furtar-se a esta sensação forte quando, despido de preconceitos ideológicos e com objectividade, se debruçar sobre a personalidade única e a obra portentosa do homem que, durante quarenta anos, inteiramente se identificou com o destino de Portugal.
Seguro estou, porém, de que só a perspectiva da História permitirá abranger, na sua exacta medida, toda a ciclópica estatura do estadista e todo o alcance da doutrina política do Professor de Coimbra que, por desígnio da Providência, haveria, do alto do Poder, que nunca o seduziu nem abastardou, ser mestre de Portugal e do Mundo.
Por isso, quando me inclinei, comovida e respeitosamente perante o corpo a que a morte imprimira a sua fria e serena majestade, o meu pensamento ergueu-se em súplica a Deus para que desse sempre aos Portugueses o discernimento de espírito e a força de ânimo que lhes façam compreender e respeitar a mensagem de Salazar: mensagem de trabalho e sacrifício, mensagem de seriedade e equilíbrio, mensagem de liberdade na ordem e na hierarquia dos valores, mensagem de integral devotamento à Pátria.
Restaurador das finanças e da economia, reformador das leis e da vida nacional, criador de novo sistema governativo e representativo, diplomata de visão profética, estadista das grandes decisões nos momentos cruciais, homem de inteligência e acção, a ele deve o País a renascida consciência da sua saudade e integridade, na dimensão intercontinental dos territórios, e da sua missão universalista.
Mas, nesta hora dolorosa em que os portugueses que mantêm vivo o amor da Pátria se curvam, emocionados e agradecidos, perante os restos mortais de Salazar, quero exaltar, de modo especial, não tanto o Presidente do Conselho autor da Constituição de 1933, nem o artífice do ressurgimento nacional, nem o homem de carácter e de apurada sensibilidade que ele sempre foi, mas sobretudo o pensador vigoroso e profundo que, com a sua doutrina, há-de exercer influência crescente na ciência e arte de conduzir os povos, e o político genial, que acima de todos os chefes dos países do mundo livre, mais concorreu para impor um travão ao expansionismo comunista e melhor soube internegrar e defender os interesses do Ocidente.
Sempre o mesmo, nas horas tranquilas da paz, ou nos períodos perturbados da guerra ou do terrorismo, não pode duvidar-se de que a lucidez do seu espírito e a validade das suas concepções, a eloquência da sua palavra e a fortaleza da sua vontade lhe deram jus, não apenas a lugar cimeiro na galeria dos Grandes de Portugal, mas também a uma posição proeminente entre os maiores vultos políticos do século.


Henrique Veiga de Macedo
(In Política, n.º 14/15, 15/30.07.1971, pág. 10)
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« Responder #4 em: Janeiro 30, 2010, 10:04:34 »

Foi devido às políticas económicas de Salazar que houve um grande progresso industrial em Portugal: foram lançadas em Portugal, pelas mesmas políticas que mencionei atrás, as indústrias de fibrocimento, de lâmpadas e motores eléctricos, de pilhas eléctricas, de baquelite, de fabrico mecânico de vidro, de refinação de petróleo, de amido, de ácido clorídrico e silicato de sódio, de aço, de bicicletas e de ferro e cimento. Tudo isto, apenas na década de 30.
Houve também um enorme impulso à indústria têxtil, metalúrgica e de calçado.
O lançamento destas indústrias por parte de Salazar proporcionou a Portugal duas coisas: diminuição da dependência externa em relação a alguns produtos, diminuindo substancialmente as importações, e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no território Português (incluindo o Ultramar).
Há ainda medidas político-económicas que contribuíram imenso para o progresso industrial Português: até 1960, era obrigatório que 60% do investimento em Portugal fosse nacional; quando esta medida foi implementada, possibilitou, finalmente, que os investidores e industriais nacionais tivessem espaço para evoluir e aumentar a produção, e também proporcionou-lhes um mercado seguro. Esta medida, não só assegurou um desenvolvimento da indústria nacional, como, devido aos impostos, uma maior receita do Estado, e também diminuiu em grande escala a dependência externa de variados produtos. Há ainda outras medidas político-económicas de relevo: as empresas nacionais tinham, obrigatoriamente, de fazer os investimentos em território nacional e se empresas quisessem comprar produtos estrangeiros cuja produção também existia em Portugal, as taxas alfandegárias quase que duplicavam o preço do produto.

De 1929 para 1934, as importações de algodão, trigo, carvão, ferro e aço, gasolina e óleos minerais e fios e tecidos de algodão desceram. Apenas subiu a importação de máquinas e aparelhos industriais…
De 1929 para 1934 os preços de produtos agrícolas, trigo, máquinas e utensílios para a agricultura e materiais de construção desceram. Deveu-se à sua produção em Portugal e para facilitar o progresso agrícola.

De 1933 para 1939, a produção industrial aumentou em mais de 50%, e apenas no ano de 1939 abriram 485 novas fábricas dos sectores de alimentação e bebidas, têxteis, vestuários e calçado, madeira e cortiça, materiais não metálicos, químicas, metalúrgicas, metalomecânicas e de material eléctrico.

Continuarei, por agora fico em alguns dados da evolução industrial até 1940 (podia ter posto mais)…
« Última modificação: Janeiro 30, 2010, 14:34:49 por Nó Górdio » Registado

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« Responder #5 em: Janeiro 30, 2010, 12:11:44 »

Continuando o tema da indústria, o seu progresso a nível de produção e modernidade continuou para lá do ano de 1940.
A indústria transformadora, que em 1953 representava 33.8% do PIB, em 1959 representava 36.9%.
A indústria, que em 1952 fazia uma formação bruta de capital fixo de 2 196 000 de contos, em 1960 fazia uma mesma formação bruta de capital fixo de 5 496 000 de contos. Mais de o dobro.
Em 1959, a indústria portuguesa tinha um valor bruto de produção de 33 225 000 de contos. Entre 1953 e 1959, a taxa anual de crescimento da produção era de 7,4%.
O desenvolvimento industrial que atrás referi é demonstrado pelos números da evolução dos índices anuais da produção industrial; de 1947 para 1960, a produção da indústria transformadora, extractiva, de madeira, cortiça e calçado, química, de petróleo, minerais não metálicos, metalúrgica, metalomecânica, material eléctrico, transformações diversas e electricidade DUPLICOU e, nos últimos 5 casos TRIPLICOU.
As indústrias têxtil, de vestuário, de calçado, ainda que não tenham duplicado a sua produção, aumentaram-na em grande escala, sendo difícil duplicá-la devido a terem sido as que mais cedo se desenvolveram com os incentivos de Salazar, pelo que já se encontravam num nível de produção alto.
Em 1958 e 1968, a indústria metalúrgica tinha uma taxa média de crescimento de 13,7%, a transformadora de 12,4%, as indústrias de produtos metálicos, mecânicas, eléctricas e de material de transporte tinham uma taxa média de crescimento acima dos 10%. A indústria química tinha a mesma taxa nos 9,9%.
Em 1968 a indústria de pedra, argila e vidro tinha uma taxa média de crescimento de 10,7%, as indústrias têxteis, de vestuário e de calçado tinham a mesma taxa nos 11,5%.
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« Responder #6 em: Janeiro 30, 2010, 13:00:26 »

Aqueles que acusam o Estado Novo de ser o responsável por um atraso social, só podem estar pouco informados, pois se os números demonstram o enorme desenvolvimento industrial que Salazar foi responsável, os números também demonstram uma melhoria do nível de vida dos portugueses durante a governação de Salazar.
De 1935 para 1941, os salários dos trabalhadores agrícolas aumentaram 5%, e o número de não remunerados desceu dos 32,2% de 1930, para 6% em 1950.
A taxa de mortalidade infantil, que em 1949 era de 98%o (permilagem, para o caso de não perceberem os 2 zeros), em 1959 era de 83%o e em 1969 era de 51%o.
De 1950 para 1968 os salários rurais duplicaram e os salários dos operários eram, em 1961, os 3º maiores da Europa Ocidental! O operário português recebia 109 dólares americanos, enquanto que o operário britânico recebia 105, o italiano 107, o suíço 104, o irlandês 106 e o francês 107,9. Apenas éramos superados pelos salários da RFA (110) e da Dinamarca (112).
O analfabetismo, que em 1930 era de 61,8%, em 1940 era de 49%, em 1950 era de 40% e em 1960 era de 30,3%.
Foram criadas ainda as Casas do Povo, casas que providenciavam aos operários e pescadores apoios financeiros na doença e na velhice, criaram-se as Casas Salazar, casas onde as pessoas sem habitação podiam dormir e tomar uma refeição, construíram-se bairros de baixo custo para a habitação estar acessível a todos os salários, construíram-se escolas e hospitais, e formaram-se os Socorros da Legião, serviço prestado pela Legião Portuguesa durante o Inverno, distribuindo roupa e mantas pela população mais pobre.
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« Responder #7 em: Fevereiro 28, 2010, 18:31:08 »

Aqueles que acusam o Estado Novo de ser o responsável por um atraso social, só podem estar pouco informados, pois se os números demonstram o enorme desenvolvimento industrial que Salazar foi responsável, os números também demonstram uma melhoria do nível de vida dos portugueses durante a governação de Salazar.
De 1935 para 1941, os salários dos trabalhadores agrícolas aumentaram 5%, e o número de não remunerados desceu dos 32,2% de 1930, para 6% em 1950.
A taxa de mortalidade infantil, que em 1949 era de 98%o (permilagem, para o caso de não perceberem os 2 zeros), em 1959 era de 83%o e em 1969 era de 51%o.
De 1950 para 1968 os salários rurais duplicaram e os salários dos operários eram, em 1961, os 3º maiores da Europa Ocidental! O operário português recebia 109 dólares americanos, enquanto que o operário britânico recebia 105, o italiano 107, o suíço 104, o irlandês 106 e o francês 107,9. Apenas éramos superados pelos salários da RFA (110) e da Dinamarca (112).
O analfabetismo, que em 1930 era de 61,8%, em 1940 era de 49%, em 1950 era de 40% e em 1960 era de 30,3%.
Foram criadas ainda as Casas do Povo, casas que providenciavam aos operários e pescadores apoios financeiros na doença e na velhice, criaram-se as Casas Salazar, casas onde as pessoas sem habitação podiam dormir e tomar uma refeição, construíram-se bairros de baixo custo para a habitação estar acessível a todos os salários, construíram-se escolas e hospitais, e formaram-se os Socorros da Legião, serviço prestado pela Legião Portuguesa durante o Inverno, distribuindo roupa e mantas pela população mais pobre.


Não digo que não foram cometidos erros durante o Estado Novo, mas sem dúvida incomparáveis às barbaridades actuais.
O Pro. Salazar tinha uma visão muito peculiar do mundo. Era um homem intelectualmente inatingível para muitos. Ele fazia política superior, não se limitava a fazer política a curto prazo, como o fazem todos os políticos actuais.
Ele via para além do óbvio. Tinha ideias de grandeza, mas não utópicas, para o seu país.

Foi apenas apanhado pela profunda mudança de mentalidades, do pós 2ª Guerra. O mundo já nada tinha a ver com o mundo pré 2ª Guerra.

Ainda assim, o Prof. Salazar contínua à frente. Pois a suas previsões concretizam-se a cada dia.

Temo que ainda terá que passar muito tempo até que este homem, inacessível aos profanos, possa ser homenageado.
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