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Autor Tópico: Teoria das Elites - Pareto, Mosca e Michels  (Lida 2420 vezes)
Ricardo de Vasconcelos
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Infinito


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« em: Junho 17, 2008, 20:29:22 »

Pensador: Vilfredo Pareto (1848-1923)

Na perspectiva de Pareto, existe em todas as esferas, em todas as áreas de ação humana, indivíduos que se destacam dos demais por seus dons, por suas qualidades superiores. Eles compõem uma minoria distinta do restante da população – uma elite.
O termo elite pode não ser atribuído apenas a uma aristocracia, e sim qualquer grupo que se destaque em sua atividade especifica, ou seja, é possível falar numa elite de guerreiros, numa elite religiosa, numa elite econômica e até mesmo de ladrões.
As elites, na visão do autor, não são eternas, existe uma espécie de renovação, através de um processo contínuo denominado como circulação das elites. Quando tal circulação cessa, ou se torna demasiado lenta, o que se observa é a degeneração da elite. Ela passa a concentrar elementos de qualidade inferior, ao passo que nas camadas inferiores, ocorre um acumulo de indivíduos com traços superiores. Conforma-se, assim, um quadro drástico de perturbação e crise, propício à derrubada violenta da elite governante, à sua substituição por via de uma revolução.
Em todas as sociedades, existe, de fato, uma luta constante entre a elite no poder e um grupo dele excluídos. Porém, não se trata de uma luta de classes, como acreditavam os marxistas, e sim uma luta de elites. Trata-se de uma luta que não cessa nunca, mesmo que fossem extintas todas as classes sociais, dado que ainda assim se observaria à formação de elites.
Uma revolução socialista pode então ser encarada como a substituição de uma elite burguesa capitalista por uma elite socialista. Longe, portanto de ser igualitária, pois, como as demais, também seria dominada por uma elite.
Pareto é descrente com a idéia de um governo das massas, um governo de soberania popular. Todo governo é uma minoria e nem mesmo a imposição do sufrágio universal é capaz de alterar esse quadro. A tese democrática não tem, por conseguinte, base real. Ela tem uma função de impulsionar, agindo como um credo, evocando sentimentos, insuflando esperança, principalmente nos indivíduos de classes baixas, que precisam suportar as agruras do dia-a-dia, ela pode levá-los à mobilização, impulsioná-los à ação. A retórica democrática é uma poderosa arma para os grupos que buscam poder, mas que, para tanto, precisam do apoio das massas. E, galgados de poder, os ideais democráticos legitimam essa nova minoria.

Pensador: Gaetano Mosca (1858-1941)

Na perspectiva de Mosca, um dos aspectos mais óbvios de todos os organismos políticos, era o que havia sempre duas classes de pessoas, uma mais e outra menos numerosa, sendo a primeira dirigida e a segunda dirigente. O que distinguia a minoria da maioria, conferindo-lhe o poder de dirigir, era, inicialmente, a organização. Organizada, coordenada, ela se impunha a uma maioria atomizada, desarticulada. Além disso, a minoria também se destacava por possuir algum atributo, alguma qualidade altamente valorizada em termos sociais, como a força física, o contato direto com divindades, o saber, a riqueza e assim por diante.
Articulado a esses dois, outro importante elemento de acesso à classe dirigente era a hereditariedade. Nos sistemas de castas, por exemplo, o critério de acesso era unicamente o do nascimento. Haveria de se notar, contudo, que todas as classes dirigentes, mesmo as ditas democráticas, tendiam a adquirir características hereditárias, e isto porque a proximidade e a familiaridade com suas funções conferiam a seus descendentes maior competência, maior aptidão para exercê-las.
A questão da hereditariedade conduz a uma outra,igualmente fundamental, que é a da estabilidade e permanência da classe dirigente. Nenhuma classe dirigente se sustentava no poder apenas na base da força. Ela deveria escorar-se em algum princípio, quer fosse ele religioso, legal ou moral.
É assim que se deveria entender, por exemplo, a idéia de soberania popular, que informava as democracias e que se materializava no sufrágio universal. Por seu intermédio, a minoria eleita governava, legitimando-se e mantendo-se no poder. Era preciso ver, que o fato de participar de eleições, não significava, efetivamente, que o povo dirigia seu governo, ou mesmo escolhia seus governantes. Significava tão-somente, que algumas forças políticas podiam, em condições favoráveis, controlar e limitar a atividade de outras. Não era o eleitor que, livremente, escolhia seu representante. Ele optava sempre a partir de um conjunto, que lhe era dado, de candidatos promovidos por grupos, por comitês, por minorias organizadas. Desse modo, o representante é que se impunha.
Mosca enxergava importância na democracia, mas acreditava que seus princípios de igualdade entre homens e soberania popular não eram possíveis na prática. Identificava na tendência democrática apenas uma forma de renovação da classe dirigente. Na avaliação dele, essa tendência era essencial para o progresso das sociedades, impedindo a sua ossificação, prevenindo a classe dirigente da exaustão mediante a constante admissão de novos componentes. O seu contrário era a tendência aristocrática, em que apenas um grupo fechado controlava o acesso a cargos e à administração do Estado.
A tendência aristocrática podia ser percebida, por exemplo, no sistema socialista. Ali o governo e a economia eram delegados às mesmas pessoas que, dessa forma, acumulavam demasiado poder, tornando-se imunes a qualquer tipo de controle. Assim, por detrás de uma retórica igualitária, democrática, o que se assistia era à constituição de uma oligarquia mais poderosa e totalitária que jamais se havia tido notícia.

Pensador: Robert Michels (1876-1936)

Robert Michels elegeu a democracia como seu principal objeto de preocupação. O nome do sociólogo alemão tem sido diretamente associado ao que chamou de lei de ferro da oligarquia, à qual deu a seguinte formulação:



...] o direito de controle reconhecido à massa torna-se cada vez mais ilusório. Os partidários devem renunciar a dirigir ou mesmo a supervisionar todos os assuntos administrativos. Vêm-se obrigados a confiar estas tarefas a certas pessoas, especialmente nomeadas para tal fim, a funcionários pagos pela organização. A massa é reduzida a contentar-se com prestações de contas sumaríssimas ou a recorrer a comissões de controle.[...]”



Delegados tornaram-se profissionais da organização, passando a depender dela para a sua sobrevivência. Mais do que isso, a própria sobrevivência da organização passaria a depender deles. Indivíduos que começavam a enxergar como indispensáveis os seus ganhos na organização. E, uma vez eleitos, por conseguinte, passavam a permanecer nos cargos por longuíssimos períodos, e viviam mesmo como um moral conquistado. Percebendo suas posições como um direito, os chefes tendiam a interceder na sua sucessão, reservando-as a seus herdeiros. Nesse sentido, o que se notava era a prevalência de práticas como o nepotismo, favorecimento e cooptação, e nunca a do mérito, da concorrência, da eleição.
É certo que, constatado este cenário, surgiriam os novos aspirantes. Estes novos aspirantes, entretanto, buscariam derrubá-los, justamente, denunciando sua tirania, defendendo direitos violados da massa anônima, direitos que, sem dúvida, também violariam, uma vez alcançado o poder. Os “revolucionários de hoje”, conclui Michels com ceticismo, “são os reacionários de amanhã”.
Afirmações que deixam clara a posição do sociólogo frente questões democráticas. Uma democracia que, tal como propalada, se tornara impraticável.
O Estado socialista não fugia a essa regra, ainda que quisesse a forma mais perfeita de igualitarismo. Ele era um Estado dos socialistas, e não das grandes massas, do proletariado. “A vitória do socialismo”, deixava claro Michels, “não será a do socialismo, que perecerá no mesmo momento em que triunfarem seus partidários”.


Fonte: http://efme.blogspot.com/search/label/Teorias
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